Procuradora Natasha responde a processo disciplinar por “cabritar”

Política

27 de Novembro de 2017

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O Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público decidiu sexta-feira passada instaurar um processo disciplinar à procuradora da República Natasha Sulaia e Santos Andrade Santos, por eventual cometimento de crimes de burla e abuso de poder, podendo eventualmente ser responsabilizada criminalmente.

A informação foi prestada pelo procurador-geral da República, João Maria de Sousa, em conferência de imprensa no final de uma reunião do Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público, que analisou o assunto.

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O procurador-geral da República contou que o caso foi despoletado na sequência de uma denúncia do Maka Angola intitulada "Angola processada nos Estados Unidos por roubo a investidores estrangeiros", envolvendo a procuradora Natasha Sulaia e Santos Andrade Santos, o irmão Miguel Andrade, e o pai dela, o general na reserva António Francisco Andrade.

O jornal online “Maka Angola” informava na sua edição de 22 de Novembro que dera entrada no passado dia 15 do mesmo mês no Tribunal do Distrito de Colúmbia dos Estados Unidos da América uma acção proposta pela Africa Growth Corporation (AGC), empresa com sede nos Estados Unidos, contra a República de Angola, acusando o general António Francisco de Andrade e os seus filhos Miguel e Natasha Andrade (a procuradora) de a ter burlado em mais de 55 milhões de dólares, com a cumplicidade e cobertura do governo provincial de Luanda e da Procuradoria-geral da República.

A AGC alega que adquiriu legalmente em Luanda propriedades imobiliárias e comerciais e geriu vários complexos de apartamentos arrendadas a angolanos e a estrangeiros, mas que a parte angolana na sociedade, usando documentos fraudulentos, a intimidação e força de armas, conseguiu apreender, expropriar e transferir ilegalmente os bens americanos para o nome da procuradora angolana Natasha Andrade.

A AGC acusa os réus de terem tomado as suas propriedades em Angola sem qualquer compensação e sem o devido processo legal. E que com esse procedimento os réus exerceram discriminação com base na nacionalidade dos accionistas da AGC, em violação do direito internacional.

Segundo o procurador-geral da República de Angola, pelo que ficou a saber-se, ter-se-á tratado de um diferendo entre sócios ou entre sociedades relacionadas num negócio de construção de imóveis com o general António Francisco Andrade, mas que a filha deste, tentando tirar proveito da função de Procuradora, se excedeu.

O procurador-geral mostrou inclusive uma nota assinada por ela, em defesa do negócio do pai, dirigida aos Serviços de Migração e Estrangeiros a solicitar a interdição de entrada no país do sócio Christopher Sugrue, detentor das nacionalidades americana, irlandesa e suíça, referindo que o mesmo era indiciado nos crimes de abuso de confiança, roubo qualificado, ameaça e introdução em imóvel alheio.

João Maria de Sousa considera que o acto foi praticado no interesse particular da procuradora visada, que se encontra de momento ausente do país, acompanhando um filho menor em junta médica, e que a sua atitude não vincula o Estado angolano.

A carta que “entalou” a procuradora

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